segunda-feira, 29 de março de 2010

De Napoleão para Josefina

O tipo era pequenino, mas percebia umas coisas...

"Para Josephine, 1796

Não passei um dia em que não te amasse. Não passei uma noite sem te abraças. Nem sequer bebi uma chávena de chá sem amaldiçoar o orgulho e a ambição que me froçam a estar longe do espírito que anima a minha vida. No meio dos meus deveres (...) só a minha amada Josephine se ergue no meu coração, ocupa a minha mente, preenche os meus pensamentos. Se me afasto de ti com a velocidade da torrente do Rhône, é para mais depressa te voltar a ver. Se me levanto a meio da noite para trabalhar, é para apressar em poucos dias a chegada do doce amor. Contudo, nas cartas de 23 e 26 tratas-me por vous. Vous para ti! Ah, desgraçada, como pudeste escrever tal carta? (...)
Ah, meu amor, esse vous, esses quatro dias acrescentaram algo à minha indiferença. Maldito seja o responsável! (...) Até breve, minha esposa, tormento, alegria, esperança e ânimo da minha vida, a quem eu amo, a quem eu temo, que me enche de ternos sentimentos, com que a Natureza me atrai, com os violentos impulsos, tão tumultuosos como o trovão. Não te peço amor eterno, nem fidelidade, apenas... verdade, honestidade sem limites. O dia em que disseres que não me amas, marcará o fim do meu amor, e o último da minha vida. Se o meu coração fosse tão vil que amasse sem ser amado, despedaçava-o. Josephine! Josephine! Lembra-te do que te disse: a Natureza presenteou-me com um carácter resoluto e viril. E fez o teu amor renda e gaze. Deixaste de me amar? Desculpa-me, amor da minha vida, a minha alma está exaurida por forças antagónicas.
O meu coração, obcecado por ti, está cheio de medoa que me prstrm na triteza... Sinto-me incapaz de dizer o teu nome. Vou esperar que escrevas.
Até breve! Ah! se me amas menos é porque nunca me amaste. Nesse caso serei mesma digno de pena.

Bonaparte"

(retirado de "Cartas de Amor de Grandes Homens de Ursula Doyle")


Sem comentários:

Enviar um comentário

Divagações